Do Piemonte para o mundo: a trufa branca de Alba é considerada um dos tesouros mais preciosos da gastronomia mundial e se tornou o símbolo da tradição culinária do Piemonte. Graças à Fiera internazionale del tartufo bianco di Alba se celebra uma das mais elevadas representações da gastronomia Made in Italy
A Feira Internacional da Trufa Branca de Alba nasceu em 1929 por iniciativa de Giacomo Morra, e em 2026 celebra a sua 96ª edição. O evento, que começa em outubro e vai até dezembro, reúne gastronomia, cultura, tradição e experiências ligadas ao território, atraindo visitantes de diferentes partes do mundo.
Neste ano, a feira apresenta o tema Authentic Relationships, cuja tradução literal é “relações autênticas”. A expressão destaca a importância dos vínculos entre as pessoas, a natureza, as comunidades e as tradições locais, elementos que ajudam a explicar o valor da trufa branca de Alba.

Trufas brancas de Alba: o que torna esse produto especial?
A trufa branca de Alba, identificada pelo nome científico Tuber Magnatum Pico, é o centro desta tradicional feira e este produto consagrou a cidade de Alba como a capital mundial da trufa branca.
A trufa branca de Alba é um produto natural, único, do sabor e aroma intenso. As suas dimensões dependem de vários fatores como o terreno, as raízes das plantas e a época de recolha. Ele cresce em baixo do terreno, por isso tem uma forma completamente irregular.
É importante destacar que esta trufa não pode ser cultivada, é um produto que só se encontra em natureza e as Langhe (é assim chamado o território no baixo Piemonte), representam a terra perfeita graças aos solos calcários e férteis.
Para recolher esta trufa, o agricultor é acompanhado pelo seu fiel cachorro que o guia pelo caminho certo através do cheiro. São necessários anos de treino para que o cachorro consiga desenvolver esta particular característica do olfato.
Experiências gastronômicas e programação cultural da feira
A feira procura valorizar esses vínculos e aproximar as comunidades locais dos visitantes internacionais. Além disso, o evento promove iniciativas de pesquisa, educação e preservação do patrimônio ligado à trufa.
Entre as atrações estão demonstrações culinárias, escolas de cozinha, almoços no Castelo de Roddi, jantares e oficinas de massa fresca. Na edição anterior, essas atividades reuniram mais de 3.500 participantes, dos quais 70% vieram do exterior.

A programação gastronômica também envolve mais de 40 chefs italianos e internacionais, muitos deles reconhecidos com estrelas Michelin.
Dessa forma, a feira aproxima o público da gastronomia e dos produtos locais, ao mesmo tempo que valoriza a criatividade culinária e o respeito aos ingredientes.
Mercado Mundial da Trufa Branca: qualidade e procedência
Um dos espaços centrais do evento é o Mercado Mundial da Trufa Branca de Alba, instalado no pátio de La Maddalena.
Cada exemplar de Tuber Magnatum Pico destinado à venda passa por uma avaliação rigorosa realizada por profissionais formados pelo Centro Nacional de Estudos da Trufa.

Os avaliadores utilizam critérios que envolvem análise visual, olfativa e tátil. Assim, verificam a qualidade do produto e oferecem aos consumidores uma referência para a compra de trufas autênticas e frescas.
Além das trufas, o mercado apresenta outros produtos da região, como queijos, embutidos, avelãs, doces e vinhos. A iniciativa também busca promover uma relação transparente entre produtores e compradores.
Alba e o reconhecimento internacional de seu patrimônio
Como já mencionado, Alba foi consagrada como a capital mundial da trufa branca, mas há também a designação de Alba como Cidade Criativa da Gastronomia da Unesco, em 2017, e a inscrição da tradição italiana de caça e extração de trufas na Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, em 2021.
A feira se tornou um dos eventos de maior importância para esta cidade e este território. Cada ano são apresentadas atividades e eventos diferentes para permitir a integração do território com as pessoas.
Por isso, também se desenvolvem atividades com o Museu da Trufa de Alba, o Centro Nacional de Estudos da Trufa, escolas e instituições culturais e científicas.

Além disso, existe um espaço para as crianças, o Alba Truffle Bimbi que oferece atividades de criatividade manual e experiências inspiradas nas colinas, nos vinhedos e nos elementos naturais e arquitetônicos do território.
Podemos, portanto, entender como as trufas brancas de Alba conectam gastronomia, natureza, história e cultura. A feira utiliza esse patrimônio para valorizar as tradições locais e fortalecer as relações entre o território, os habitantes e os visitantes estrangeiros e italianos.


